All real vampires stuff | "Insaciável", por Meg Cabot

sexta-feira, 22 de junho de 2012



Mesmo se o nome de sua autora não aparecesse em letras tão grandes, Insaciável (Galera Record, 504 pág. 2011) não deixaria de chamar á atenção. Começando pela capa, que é linda, e a diagramação do livro, que é mais do que divertida e bem feita. 

Ainda assim, a grandeza do primeiro romance vampírico da diva da literatura infanto juvenil Meg Cabot está, além de contida nos detalhes citados acima, na maravilhosa estória que a americana criou. Na terceira pessoa, Cabot conta a trajetória de Meena Harper, uma escritora de quase trinta anos e um tanto frustrada com a situação de sua vida. Até este momento, não há grandes novidades, já que grande parte das obras da autora falam sobre isso (garotas infelizes com certos momentos pelos quais passam), além do fato de Meena não ser a primeira escritora que Meg cria. Em seguida, sabemos que o motivo do descontentamento da simpática Meena é o fato de que a novela para qual ela escreve, "Insaciável", terá de se render á vampiros em seu enredo, para que volte a seu auge de audiência. Meena, como a maioria das pessoas dentro e fora do livro, está cansada de vampiros. 

Um tanto feminista (bem filha da Meg mesmo), Meena não sabia que, após passar uma maravilhosa noite com um misterioso príncipe da Romênia, de passagem em Nova York, alguns problemas cairiam sobre ela, como um certo caçador de vampiros hospedado em sua casa, ou qualquer coisa do gênero. A partir de então, percebemos em Meena um certo sentimento pelo príncipe Lucien.

É exatamente neste momento em que Cabot tenderia á cair em um milhão de clichês tediosos, mas não é isso o que acontece. Lucien é um vampiro, um caçador, e quer sangue. É nesse ponto em que vários autores de romances vampíricos pecam, adicionando romantismo exagerado nas criaturas da noite. Mas o que Meg Cabot fez foi traçar linhas dos tradicionais livros sobre vampiros, adicionar o seu açúcar um tanto amargo, já característico dela, e descrever os detalhes de uma garota enfeitiçada, não apaixonada, e um vampiro com interesses de vampiro, ou seja, sangue. (Neste momento, corro o risco de me parecer com um "hater" das sagas vampíricas pop do momento, apesar de não considerá-las de todo ruim).

É em meio a poucos personagens, mas centenas de acontecimentos inusitados e emocionates, que a narrativa se desenvolve. Insaciável é exatamente como deve ser um livro assinado por Meg Cabot: eletrizante, divertido e original.

Destaque para a protagonista, Meena, que, em seus quase completos trinta anos, leva a vida na cidade grande á ponto de nos fazer rir em certos pontos, mas também refletir em outros; Alaric, o caçador de vampiros com personalidade mais do que forte e um ego tão grande que chega a ser hilário quando é contrariado; e Leisha, melhor amiga de Meena, que traz o indispensável humor chick-litiano que só Cabot sabe fazer direito, apesar de não uma personagem de grande destaque na estória, mas ser crucial para o desfecho.

É uma leitura que, apesar do número de páginas, se torna rápida pela forma ágil com que a narrativa se desenvolve. Usando aqui um clichê das resenhas de obras da Meg, é o tipo de livro que, quando você percebe, já está no fim. Além disso, vem com pitadas certas de humor e romance que supostamente seria o centro da estória, não fosse a eminente guerra entre vampiros que se aproxima, e que dosa um pouco de tensão á leitura. Perfeito.

"— Se aprendi alguma coisa nessa vida, Meena, foi que há muitas coisas assustadoras por aí. Às vezes, eu quero entrar em um quarto sem janelas até que o sol volte a subir no céu e as coisas assustadoras tenham ido embora. Mas a verdade é que... essas coisas assustadoras não vão embora sozinhas" (Alaric Wulf - pág. 473)
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